nome: Elias de Oliveira Lazaroni
idade: 29 anos
cidade: Rio de Janeiro
inspiração: Um quadro é pintado sempre por duas pessoas – um homem e uma mulher. O resto não é arte; são coisas que fazem parte da vida e são como tudo mais.
trabalho: O primeiro e mais importante dos passos a ser dado ao aceitar a vocação de artista (sendo artista, obviamente), é a de se encarar o ofício da arte como um trabalho tão ou mais sério quanto qualquer outro. Tem-se que ter a postura de um ginecologista, a fala de um físico, e a negociação de um milionário.
palavra: Vale menos do que a ação, e mais do que todo o resto.
dinheiro: Um papel que vale muito dinheiro. Deve-se procurar ganhar muito, gastar mais ainda, emprestar adoidado, pedir emprestado e não pagar nunca – só não se pode roubá-lo ou negá-lo.
amor: Só pessoas muito chatas ou que se dizem “poetas”(o que dá no mesmo) ficam elucubrando em palavras sobre. Ainda mais quando não se está amando.
vida: Muito bom. Mas sem o futebol, os livros, mulheres, bebida como escapismo, filmes e obras de arte, não seria grandes merdas. Imagina um mundo, domingo, liga-se a tv, tem o Faustão, daí sei lá, em vez do debate esportivo com o Gerson (Canhotinha de Ouro), tá rolando uma mesa redonda com Vik Muniz, Beatriz Milhazes, Romero Britto, Damien Hirst, o Volpi e seus herdeiros, todos concretistas e neo-concretistas que se preocupam mais em combinar uma bola com um triângulo do que em pintar ou esculpir, tudo mediado sobre o Ferreira Gullar, e sei lá o quê, discutindo sobre obras de restauração no Parque Lage e sobre a estética do Nova Era… Num mundo sem arte e mulheres, futebol, Gilson Ricardo, eu iria fatalmente me dedicar às milícias amadoras ou à religião de fim de semana.
morte: Uma cigana me disse que vou viver até os 100 anos; espero que dormindo, e com todos meus amigos vivos. Só queria tá aqui pra ver meu próprio enterro, todo mundo chorando e tals, deve ser bom pro meu ego de espírito inferior.
sonho: Que daqui a 10 ou 15 anos a peruca masculina volte à moda. Se o pessoal que fizesse as tendências fosse hétero e não um bando de viado cheirador de cocaína que só cria pra mulher ou garotão bem alimentado, os cabeludos de alma teriam alguma chance.
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